Justificativa do Projeto

A Almeida Recebida é de domínio público, e constitui uma versão da Bíblia portuguesa, traduzida por João Ferreira de Almeida, mas que segue os manuscritos gregos do Textus Receptus, isto é, os manuscritos utilizados pelos Reformadores Protestantes, bem como pelos Valdenses, e também quase todas as Bíblias antigas (incluindo a tradução original de João Ferreira de Almeida).

Mas por que ter uma nova versão da Bíblia? A resposta a esta pergunta é mais profunda do que parece. A linguagem humana é bem dinâmica. Constantemente surge necessidade de atualizar, de corrigir, de tornar algo o mais claro possível, e isto para a época presente. Assim, faz-se necessário uma constante revisão e adaptação da linguagem com o passar do tempo, fazendo com que MUDANÇAS sejam, não somente apropriadas, mas também, necessárias.

No entanto, comparando as Bíblias antigas com as Bíblias mais recentes, nota-se, de forma bem clara, que as mudanças vão além da mera atualização do português, ou de regras gramaticais. Há versos inteiros que subitamente desaparecem, e trechos e pedaços que parecem cortados ou arrancados. O sincero inquiridor deve-se perguntar: qual é o motivo de tamanha mudança? Citaremos três exemplos de tais mudanças:

1) Apocalípse 22:14

A Bíblia portuguesa antiga (versão de 1848) traz assim:

Bemaventurados aquelles que guardão seus mandamentos, para que tenhão poder na arvore da vida, e na cidade possão entrar pelas portas.

A Bíblia Almeida, Revista e Atualizada, 2ª Edição, traz assim:

Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.

Diferente, não? Parece que não foi somente a linguagem que mudou, mas sim o próprio texto, e também seu sentido. Não é nosso objetivo aqui discutir se a frase “lavar as vestiduras [no sangue do Cordeiro]” é equivalente à frase “guardão seus mandamentos”. Para essa discussão, isso é irrelevante. Eu gostaria de saber o que o profeta João escreveu; não faz diferença se alguns afirmam que o significado das duas frases seja equivalente; não é isso que eu estou atrás. Se o profeta João escreveu “Lavam as suas vestiduras”, eu quero ler “Lavam as suas vestiduras”; agora, se ele escreveu “guardam os seus mandamentos”, eu não quero ler “lavam as suas vestiduras”. Quero ler o que ele escreveu. Apesar de alguns tentarem defender a ideia de que os textos tenham um significado semelhante [embora isso seja mentira], há diversos textos, incluíndo este, no qual o significado não é equivalente. Se João escreveu “guardam seus mandamentos” e eu escolho escrever “lavam as suas vestes”, eu estou alterando a Palavra de Deus, independentemente de seu significado espiritual ou homilético. Vamos ver mais alguns textos:

2) Mateus 5:44

Bíblia Almeida (1848):

Porem eu vos digo: amai a vossos inimigos, bemdizei aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos aborrecem, e rogai pelos que vos maltratão e vos perseguem.

Bíblia Revista e Atualizada, 2ª Edição (1988):

Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.

Diferente, não? Como é que o texto pode diminuir tanto? Será que a atualização de um português antigo para um português atual causa uma mudança assim?

3) Romanos 14:21

Bíblia Almeida (1848):

Bom he não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outra cousa alguma em que teu irmão tropéce, ou se escandalize, ou se enfraqueça.

Bíblia Revista e Atualizada, 2ª Edição (1988):

É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender ou se enfraquecer].

Note que “ou se ofender ou se enfraquecer” está entre colchetes “[ ]“. Isso tem a intenção de notificar ao leitor que este texto não se encontra no original. Contudo, há diversos outros textos que aparecem entre colchetes na Revista e Atualizada, 2ª Edição (cf. Mateus 6:13, 17:21, 18:11, etc.).

Como explicar tamanhas mudanças? Isso não pode ser explicado por erros de copistas, pois nós temos os exemplares mais antigos da Bíblia Almeida, e facilmente se poderiam corrigir estes erros. Mas a resposta a estas perguntas é mais profunda que isto.

Em 1881, Westcott e Hort, dois ingleses espíritas, publicaram o livro “The New Testament in the Original Greek“, após haverem completado uma revisão do texto Bíblico, baseando-se, principalmente, em dois manuscritos recentemente descobertos, mas dos quais não se havia ouvido antes. Estes manuscritos não estavam escritos em Grego oficial, mas sim numa espécie de Egípcio (o Cóptico), e foram encontrados em lugares um tanto curiosos.

O primeiro manuscrito chama-se Códice Sinaítico (no inglês: Codex Sinaiticus, e comumente referido como Alef, ou א), e foi encontrado num monastério perto do “Monte Sinai”, numa lata de lixo. O segundo manuscrito chama-se Códice Vaticano (no inglês: Codex Vaticanus, e comumente referido como B), e foi encontrado dentro do Vaticano. Alegou-se que estes manuscritos são mais antigos que os previamente conhecidos, sendo, portanto, mais confiáveis. Contudo, as evidências de que eles sejam mais confiáveis não acompanharam a alegação feita.

Mesmo assim, com base nestes dois manuscritos, iniciou-se uma série de “correções”, nas Bíblias de quase todas as línguas. Versos inteiros foram removidos, histórias inteiras faltaram. A história da mulher pêga em adultério (João 7:53-8:11) foi mantida na Bíblia, mas na Nova Versão Internacional (NVI), além dos colchetes, há uma nota explanatória informando aos leitores de que os melhores manuscritos não trazem esta história.

As mudanças foram tantas que nós nos perguntamos: será que isto não é o dedo de Satanás pervertendo a Palavra de Deus? Assim, queremos ter uma Bíblia que esteja num português moderno, mas que não siga as alterações que homens espíritas fizeram à Palavra de Deus. Queremos uma Bíblia que siga o modelo da Bíblia Protestante, usado por Lutero, Melancton, Zuínglio, Carlos Wesley, Guilherme Miller, entre outros. Esta Bíblia Almeida Recebida é baseada nos manuscritos do Texto Recebido (Textus Receptus), compilado pelos tradutores da Bíblia inglesa antiga. Eles fizeram uma comparação entre muitos e muitos manuscritos gregos antigos e produziram um texto que se assemelhava ao texto que os apóstolos escreveram.

O projeto da Bíblia Almeida Recebida conta com a colaboração de vários editores, e com referências a este debate que foram escritas durante o século XX. Que Deus seja o defensor de Sua Palavra é o desejo dos editores.

Bíblia Almeida Antiga (1848 e 1850)

A Bíblia Almeida de 1848 e 1850 é bem semelhante à versão inglesa King James. Várias das correções inseridas no século XX geraram uma grande diferença entre as duas. Os links abaixo são das versões de 1848 e 1850 em PDF.

 

Bíblia João Ferreira de Almeida (Edição de 1850) - PDF    (com OCR inicial)
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Bíblia João Ferreira de Almeida (Edição de 1848) - PDF
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Bíblia Almeida (1850) – ZIP    (com OCR inicial)

 

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